A Bomba IS IMBIL é uma bomba centrífuga para polpa desenvolvida para aplicações que envolvem líquidos com elevada concentração de sólidos em suspensão. Na mineração, esse tipo de equipamento precisa suportar muito mais do que a movimentação de um fluido: partículas minerais, areia, lama, rejeitos e outros materiais podem provocar abrasão, impactos, perda de eficiência e desgaste acelerado dos componentes internos.
Por isso, uma bomba convencional para água limpa nem sempre é adequada para processos minerais. A seleção precisa considerar a densidade da polpa, a concentração de sólidos, o tamanho das partículas, a velocidade na tubulação, a resistência dos materiais e o ponto real de operação.
A linha IS da IMBIL foi projetada justamente para atender serviços pesados. Sua construção reforçada, as diferentes opções de revestimento e a possibilidade de configurar o sistema de selagem permitem adaptar o equipamento às características de cada processo.

O que é a Bomba IS IMBIL?
A Bomba IS IMBIL integra a linha de bombas centrífugas para polpa, também conhecida como linha slurry. Seu campo de aplicação abrange o bombeamento de líquidos contendo partículas sólidas em suspensão, tanto em baixas como em altas concentrações.
De acordo com a IMBIL, a bomba pode ser utilizada com partículas de diferentes diâmetros, desde que o tamanho máximo seja compatível com a passagem livre do rotor selecionado. Entre os materiais citados pelo fabricante estão:
- areia;
- carvão;
- fosfato;
- pedras;
- bauxita;
- minérios em geral;
- cinzas;
- rejeitos;
- líquidos abrasivos;
- líquidos potencialmente corrosivos.
Além da mineração, a linha é indicada para siderurgia, geração térmica, pedreiras, fertilizantes, processos industriais e indústria química. Entretanto, é no processamento mineral que suas características construtivas ganham especial relevância.
Diferentemente de uma bomba projetada exclusivamente para líquidos limpos, a Bomba IS IMBIL considera os efeitos dos sólidos sobre o sistema hidráulico e mecânico. Isso inclui desgaste, recirculação interna, esforços no eixo, empuxo axial, necessidade de passagem de partículas e alterações no desempenho provocadas pela densidade da polpa.
Principais características técnicas da Bomba IS IMBIL
A página atual da IMBIL apresenta a linha IS com capacidade de vazão de até 4.500 m³/h e pressão ou altura informada de até 110 metros, dependendo da configuração selecionada. A fabricante também destaca a carcaça robusta, o eixo dimensionado para cargas elevadas e os componentes de desgaste disponíveis em ligas metálicas duras ou elastômeros.
O catálogo técnico anexado, correspondente a outra revisão da linha, apresenta os seguintes limites gerais:
- vazão de até 3.500 m³/h;
- altura manométrica de até 105 m.c.a.;
- temperatura de operação de até 120 °C;
- rotores abertos ou fechados;
- revestimentos metálicos ou em elastômeros.
Como existem diferentes tamanhos, hidráulicas e revisões de projeto, esses valores não devem ser utilizados isoladamente para especificação. A seleção final precisa considerar a curva vigente de cada modelo e o ponto real de operação.
Construção para serviços pesados
A Bomba IS IMBIL foi desenvolvida para condições operacionais severas. Isso significa que seu projeto mecânico considera esforços superiores aos encontrados em sistemas de bombeamento de água limpa.
O conjunto conta com carcaça robusta, eixo dimensionado para cargas elevadas e mancais preparados para absorver os esforços gerados pelo acionamento e pelo rotor. No catálogo, a IMBIL informa o uso de rolamentos de rolos para suportar a carga radial e de rolamentos de rolos cônicos para absorver o empuxo axial.
Além disso, o cavalete robusto contribui para reduzir a vibração no mancal. O conjunto do mancal também pode ser removido para manutenção sem provocar desalinhamento da tubulação, desde que os procedimentos recomendados de desmontagem e montagem sejam seguidos.
Rotor aberto ou fechado
A linha IS pode ser configurada com rotores abertos ou fechados, conforme o tamanho da bomba, a hidráulica escolhida e as características do fluido.
O rotor influencia diretamente:
- a passagem livre de sólidos;
- a eficiência hidráulica;
- a resistência ao desgaste;
- o comportamento diante de partículas maiores;
- a faixa de vazão e altura;
- a potência necessária;
- a possibilidade de entupimento.
Por isso, não existe um único rotor adequado para todas as polpas minerais. A configuração deve ser escolhida com base na granulometria, na concentração dos sólidos e no regime de operação.
Outro detalhe construtivo relevante são as aletas externas do rotor. Segundo o catálogo, elas ajudam a evitar a recirculação do fluido, minimizando o desgaste e reduzindo a pressão na caixa de selagem.

Ajuste axial externo
Durante a operação com fluidos abrasivos, o desgaste progressivo pode aumentar as folgas internas da bomba. Como consequência, a eficiência tende a cair e o consumo específico de energia pode aumentar.
A linha IS possui ajuste axial externo, recurso que permite corrigir a posição do conjunto rotativo e recuperar parte da eficiência original sem exigir uma intervenção completa no equipamento.
Esse ajuste não elimina a necessidade de substituir componentes desgastados. No entanto, quando realizado dentro dos limites estabelecidos pelo fabricante, ajuda a manter o desempenho hidráulico durante a vida útil dos revestimentos e do rotor.
Revestimentos metálicos ou em elastômeros
Um dos principais diferenciais da Bomba IS IMBIL é a possibilidade de selecionar diferentes materiais para os componentes em contato com o fluido.
O catálogo apresenta versões com revestimentos metálicos e versões revestidas com elastômeros.
Revestimentos metálicos
Entre os materiais indicados para as versões metálicas estão:
- ligas de alto cromo;
- aço inoxidável AISI 316;
- liga CD4MCu;
- outras configurações definidas conforme a aplicação.
Os materiais metálicos de elevada dureza podem ser apropriados para determinadas condições de abrasão, impacto e granulometria. Entretanto, a dureza não deve ser o único critério de escolha.
A presença de corrosão, o formato das partículas, a velocidade periférica do rotor e a possibilidade de impactos precisam ser avaliados em conjunto.
Revestimentos em elastômeros
As versões revestidas com elastômeros podem utilizar borracha natural ou clorobutil, conforme a configuração apresentada no catálogo.
Em determinadas aplicações, o comportamento elástico do revestimento pode oferecer boa resistência ao desgaste provocado por partículas menores e menos cortantes. Por outro lado, partículas grandes, angulares ou capazes de cortar o material podem exigir outra solução.
Portanto, não é correto afirmar que o revestimento metálico será sempre superior ao elastomérico, ou o contrário. A escolha depende da interação entre o material bombeado, a concentração dos sólidos, a velocidade e as condições químicas do processo.
Sistemas de selagem disponíveis
A vedação do eixo é um ponto crítico em bombas de polpa. A presença de partículas abrasivas pode danificar rapidamente um sistema de selagem inadequado, provocar vazamentos e contaminar componentes externos.
A Bomba IS IMBIL pode ser configurada com três sistemas principais.
Selagem por gaxetas
Nesse sistema, a vedação ocorre por meio de sobreposta e gaxetas. É uma solução conhecida pelas equipes de manutenção e pode ser adequada quando existe disponibilidade de água limpa para selagem.
O catálogo informa que a água deve impedir a entrada de partículas sólidas na região das gaxetas, além de auxiliar na refrigeração e na lubrificação.
A pressão da água de selagem deve permanecer entre 0,35 kgf/cm² e 0,70 kgf/cm² acima da pressão de descarga da bomba. A vazão necessária varia de acordo com o tamanho do equipamento.
Esse ponto não pode ser ignorado. Água insuficiente pode permitir o ingresso de sólidos na caixa de selagem. Por outro lado, pressão ou vazão excessivas também podem prejudicar a operação e aumentar o consumo de água industrial.
Selo centrífugo com expelidor
O sistema com expelidor utiliza um efeito centrífugo para reduzir a presença de fluido na região da vedação durante a operação.
Sua aplicação depende da pressão de sucção, da rotação, do ponto de trabalho e das condições hidráulicas do sistema. Portanto, a presença do expelidor não dispensa o dimensionamento técnico.
Selo mecânico
A linha também pode ser configurada com selo mecânico. Essa solução pode ser adotada quando o processo exige maior controle de vazamentos ou quando as condições operacionais justificam esse tipo de vedação.
Entretanto, o selo precisa ser especificado para a polpa, a pressão, a temperatura e a concentração de sólidos. Um selo desenvolvido para água limpa pode não apresentar desempenho satisfatório em uma aplicação mineral abrasiva.

Aplicações da Bomba IS IMBIL na mineração
A Bomba IS IMBIL pode ser avaliada em diferentes etapas de transporte de polpas dentro de uma planta mineral. Entre as aplicações possíveis estão:
Transporte de polpa de minério
Após etapas de britagem, moagem ou preparação, o minério pode ser misturado à água para facilitar sua movimentação entre equipamentos e áreas de processo.
Nesse cenário, a bomba deve manter os sólidos em movimento e vencer a altura manométrica e as perdas de carga da instalação.
Bombeamento de rejeitos
Os rejeitos podem apresentar concentração elevada de sólidos, variação granulométrica e comportamento abrasivo. Além disso, as condições do processo podem mudar ao longo da operação.
A bomba precisa ser selecionada considerando tanto a condição nominal como as possíveis variações de densidade e vazão.
Movimentação de areia e partículas minerais
Areia, fosfato, bauxita, carvão e outros materiais citados no catálogo podem ser transportados pela linha IS, desde que a passagem livre, o material do revestimento e a hidráulica sejam compatíveis com a aplicação.
Transferência entre tanques e etapas de processo
A bomba também pode ser utilizada em transferências de polpa entre tanques, caixas, equipamentos de classificação e outras etapas do beneficiamento.
A aplicação específica, porém, deve ser confirmada pela engenharia. Pressão de sucção, presença de ar, variação de nível, concentração de sólidos e regime de operação podem alterar significativamente o comportamento do equipamento.
Por que não se deve dimensionar uma bomba de polpa como uma bomba de água?
As curvas de desempenho das bombas normalmente são levantadas com água. Entretanto, uma polpa mineral pode apresentar densidade, viscosidade e comportamento hidráulico muito diferentes.
O próprio catálogo da linha IS alerta que as curvas precisam ser corrigidas em função dos efeitos causados pelos sólidos em suspensão.
Entre os principais parâmetros estão:
- densidade real dos sólidos;
- densidade da polpa;
- concentração de sólidos em peso;
- concentração de sólidos em volume;
- distribuição granulométrica;
- diâmetro médio das partículas;
- velocidade de sedimentação;
- diâmetro da tubulação;
- velocidade média do escoamento.
O catálogo apresenta, inclusive, gráficos específicos para calcular a perda de carga da polpa, a velocidade mínima estável e os fatores de correção da altura manométrica e da eficiência.
Em um dos exemplos técnicos, uma polpa com areia de fundição apresenta fatores de correção de altura e eficiência de 0,86. Isso demonstra que simplesmente utilizar a curva em água pode levar a uma seleção incorreta do equipamento.
Velocidade na tubulação e risco de sedimentação
Em sistemas de polpa, a velocidade não pode ser analisada apenas sob a ótica da perda de carga.
Quando a velocidade é muito baixa, as partículas podem sedimentar no fundo da tubulação. Com isso, a área de passagem diminui, a perda de carga aumenta e pode ocorrer obstrução parcial ou total da linha.
Por outro lado, velocidades excessivas podem elevar a abrasão na tubulação, nas curvas, nas válvulas e nos componentes da bomba.
O ponto de projeto deve equilibrar:
- manutenção dos sólidos em suspensão;
- perda de carga aceitável;
- consumo de energia;
- desgaste dos equipamentos;
- estabilidade operacional;
- margem para variações do processo.
Esse cálculo precisa ser realizado com base nas características reais da polpa. Usar apenas uma velocidade “padrão” pode gerar erros importantes.
O que avaliar antes de escolher a Bomba IS IMBIL?
A especificação deve começar pelo processo, e não apenas pelo modelo da bomba.
Características do fluido
É necessário informar:
- tipo de minério ou sólido;
- concentração em peso e volume;
- densidade da polpa;
- densidade dos sólidos;
- granulometria;
- tamanho máximo das partículas;
- formato e dureza das partículas;
- temperatura;
- pH;
- presença de agentes corrosivos.
Condições hidráulicas
Também devem ser conhecidos:
- vazão de projeto;
- altura manométrica total;
- comprimento da tubulação;
- diâmetro interno;
- quantidade de curvas, válvulas e acessórios;
- pressão na sucção;
- nível mínimo e máximo do reservatório;
- NPSH disponível;
- regime de funcionamento;
- necessidade de operação em paralelo ou em série.
Materiais e sistema de selagem
A seleção do revestimento e da vedação precisa considerar o tipo predominante de desgaste.
Em alguns processos, a abrasão é o principal problema. Em outros, corrosão, impacto ou temperatura também são relevantes. Muitas aplicações apresentam mais de um mecanismo de deterioração ao mesmo tempo.
Condições de manutenção
A equipe também deve avaliar:
- facilidade de acesso;
- espaço para desmontagem;
- disponibilidade de água de selagem;
- disponibilidade de peças;
- instrumentos de monitoramento;
- plano de inspeção;
- possibilidade de manter uma bomba reserva.
Cuidados de operação e manutenção
Mesmo uma bomba desenvolvida para serviços pesados pode apresentar falhas prematuras quando opera fora das condições de projeto.
Alguns cuidados são essenciais.
Monitorar o desgaste interno
Rotor e revestimentos devem ser inspecionados periodicamente. O intervalo precisa considerar a abrasividade da polpa, as horas de funcionamento e a estabilidade do processo.
Acompanhar vibração e temperatura
Mudanças na vibração podem indicar desgaste irregular, desalinhamento, desbalanceamento, problemas nos rolamentos ou alterações hidráulicas.
Da mesma forma, o aumento da temperatura do mancal pode apontar lubrificação inadequada, contaminação ou sobrecarga.
Verificar o sistema de selagem
Nas versões com gaxetas, a pressão e a vazão da água de selagem devem ser conferidas. Nas configurações com expelidor ou selo mecânico, é necessário seguir os limites específicos do sistema selecionado.
Manter a bomba próxima da faixa recomendada
Operar continuamente muito distante do ponto de melhor eficiência pode aumentar recirculação, vibração, esforços radiais e desgaste.
Além disso, mudanças na concentração de sólidos alteram a curva do sistema. Por isso, o desempenho deve ser reavaliado sempre que houver modificações relevantes no processo.
Bomba IS IMBIL: solução para processos minerais severos
A Bomba IS IMBIL reúne características importantes para o bombeamento de polpas minerais: construção reforçada, diferentes materiais de revestimento, opções de rotor, sistemas de selagem configuráveis e ampla faixa de tamanhos.
No entanto, o desempenho do equipamento depende diretamente da qualidade do dimensionamento. Concentrar a decisão apenas na vazão nominal ou no diâmetro dos bocais pode resultar em desgaste acelerado, sedimentação, consumo excessivo de energia e paradas recorrentes.
A DMB atua com soluções em bombeamento, assistência técnica, manutenção e suporte à seleção de equipamentos industriais. Sua estrutura inclui serviços de reforma e manutenção de bombas multimarcas, além de apoio técnico para aplicações em mineração e outros processos industriais.
Precisa dimensionar uma Bomba IS IMBIL para transporte de polpa, rejeitos ou fluidos abrasivos? Entre em contato com a equipe técnica da DMB, apresente os dados do seu processo e solicite uma análise da aplicação e um orçamento.